Joseane havia denunciado o companheiro por violência doméstica em julho e continuava morando com ele.
Antes de ser morta com golpes de foice na cabeça, Joseane Oliveira Nunes, de 33 anos, manifestou o desejo de revogar a medida protetiva de urgência que havia solicitado contra o companheiro, Lourival da Cruz Neto, conhecido como “Bola”, suspeito do crime ocorrido na noite desta quarta-feira (19), no Bairro Cristo Redentor, em Campo Grande.
Conforme apurado pelo Campo Grande News, Joseane solicitou a medida protetiva no dia 11 de julho, mesma data em que registrou boletim de ocorrência contra o companheiro por violência doméstica. Conforme o registro, os fatos ocorreram na casa da sogra, no Bairro Jardim das Cerejeiras.
Dez dias depois, Joseane pediu a revogação da medida protetiva. A manifestação formal ocorreu em 16 de agosto, três dias antes de ela ser morta. Na ocasião, procurou a Defensoria Pública, informou que continuava com o companheiro e declarou não ter mais interesse na manutenção da proteção.
Testemunhas relataram à polícia que, na época, o casal não chegou a permanecer sequer um dia separado. Os dois continuaram juntos e estavam morando na mesma residência.
Joseane foi encontrada morta no início da noite desta quarta-feira, dentro de uma casa na Rua Luiz Hilário Campos Leite, na região do Bairro Cristo Redentor. Ela apresentava ferimentos graves na cabeça provocados por golpes de foice. As informações preliminares apontam para feminicídio, o 22º registrado em Mato Grosso do Sul neste ano.

O Corpo de Bombeiros Militar encontrou a vítima já sem sinais vitais. O chamado ao serviço de emergência foi feito por uma pessoa que estava em frente a uma residência próxima para acessar a internet quando ouviu um pedido de socorro.
Ao entrar na casa, a testemunha viu um homem deixar o endereço de bicicleta, enquanto Joseane estava ensanguentada no interior do imóvel. Nervosa durante a ligação, ela não conseguiu fornecer outras informações naquele momento.
Os socorristas realizaram manobras de reanimação, mas não conseguiram reverter o quadro. A morte foi constatada ainda no local. Joseane deixa três filhos, com idades entre 11 e 17 anos.
Outra testemunha contou que viu o companheiro da vítima fugir em uma bicicleta azul. Durante a saída, um celular Xiaomi preto caiu em frente ao imóvel.
Equipes da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), da PM (Polícia Militar) e do GOI (Grupo de Operações e Investigações) estiveram no endereço. O local foi isolado para os levantamentos e a coleta de elementos que possam esclarecer a dinâmica do crime.
Joseane e o suspeito estavam juntos havia cerca de quatro anos. Lourival ainda não foi preso.
Prisão de Lourival

Conforme apurado pelo Campo Grande News, equipes do 9º BPM (Batalhão da Polícia Militar) levantaram a informação de que Lourival fazia diárias na Ceasa (Centrais de Abastecimento de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande.
Os policiais foram até um dos boxes do local e, durante entrevistas, descobriram que o suspeito tinha parentes em Jaraguari. A informação foi repassada às forças de segurança do município.
A Polícia Militar de Jaraguari iniciou rondas em conjunto com a Polícia Civil. Durante as buscas, uma equipe da Polícia Civil localizou Lourival no Posto Campeão, a cerca de três quilômetros da entrada da cidade.
O suspeito deverá ser encaminhado à Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), na Capital, para os procedimentos legais e ficará à disposição da Justiça.
Fonte: Campo Grande News, Bruna Marques
