Os preços internacionais do milho iniciaram a terça-feira (20) próximos da estabilidade na Bolsa de Chicago (CBOT), após as perdas registradas na sessão anterior. O mercado acompanha os novos números do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre o avanço da colheita norte-americana, que permanece atrasada em relação à média histórica.
Por volta das 7h17 (horário de Brasília), o vencimento dezembro/26 era negociado a US$ 4,6700 por bushel, sem variação. O março/27 avançava 0,75 ponto, cotado a US$ 4,8125, enquanto o maio/27 apresentava valorização de 1,00 ponto, valendo US$ 4,8950 por bushel.
As movimentações moderadas ocorrem após uma segunda-feira de perdas expressivas, quando o dezembro/26 recuou 1,53%, pressionado pela perspectiva de ampla oferta americana e pela queda das inspeções semanais de exportação dos Estados Unidos.
Colheita americana alcança 44% da área
O novo levantamento do USDA, divulgado na segunda-feira (19), mostrou que a colheita de milho dos Estados Unidos atingiu 44% da área cultivada na semana encerrada em 18 de outubro.
O resultado representa avanço de 11 pontos percentuais em relação aos 33% registrados na semana anterior. Entretanto, os trabalhos permanecem abaixo da média dos últimos cinco anos, de 52%.
Com isso, o atraso em relação ao ritmo histórico aumentou de seis para oito pontos percentuais.
O departamento também informou que 95% das lavouras alcançaram a maturidade, contra média histórica de 96%, enquanto 56% das áreas foram classificadas como boas ou excelentes, mesmo percentual da semana anterior.
Apesar do atraso, a continuidade dos trabalhos amplia gradualmente a disponibilidade de milho nos Estados Unidos. As previsões de condições meteorológicas favoráveis à colheita permanecem entre os fatores acompanhados pelo mercado.
Exportações continuam no radar
A demanda externa também segue como ponto de atenção, depois dos dados mais fracos divulgados pelo USDA na segunda-feira.
As inspeções semanais de exportação de milho somaram 672.475 toneladas na semana encerrada em 15 de outubro, queda de 48,8% em relação à semana anterior.
O resultado contrastou com a recuperação das vendas líquidas americanas informada na sexta-feira (16), quando o volume negociado alcançou 1,122 milhão de toneladas, crescimento semanal de 46%.
O mercado continua avaliando a capacidade das exportações de absorver a produção americana, estimada pelo USDA em 407,28 milhões de toneladas na temporada 2026/27.
Segundo informações da Reuters publicadas nesta terça-feira, o avanço da colheita no Meio-Oeste americano e a redução de posições compradas pelos investidores continuam entre os fatores de pressão sobre os mercados de grãos em Chicago.
No Brasil, o mercado também acompanha as perspectivas de oferta para a próxima temporada, após a Hedgepoint Global Markets projetar, na segunda-feira, produção recorde de 146,5 milhões de toneladas de milho em 2026/27.
Guilherme Dorigatti , Notícias Agrícolas