A deterioração do crédito às famílias tem limitado a concessão de financiamentos, embora o sistema financeiro mantenha capacidade de absorver perdas. Segundo o economista André Galhardo Fernandes, os ativos problemáticos atingiram o maior nível desde 2012 na maioria das modalidades, conforme o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central, divulgado nesta terça-feira (27).
Referente ao primeiro semestre de 2026, o documento aponta capitalização e liquidez confortáveis, provisões adequadas e resistência nos testes de estresse. A inadimplência foi o principal fator da piora, que ocorreria mesmo sem as alterações nas regras de baixa a prejuízo adotadas em 2025.
A solidez dos bancos convive com dificuldades dos tomadores. O aumento das perdas pressiona a rentabilidade e torna as concessões mais seletivas. O financiamento à economia desacelerou, com perda de ritmo no crédito de maior risco às famílias e nas operações para micro, pequenas e médias empresas.
O cartão de crédito segue com expansão elevada, apesar do pior perfil de inadimplência. O comprometimento da renda familiar com o serviço da dívida alcançou 28,72% em julho, recorde da série iniciada em 2005. Resoluções aprovadas pelo BC preveem alerta automático quando o comprometimento da capacidade de pagamento chega a 40%.
O avanço do mercado de capitais permite que grandes empresas busquem debêntures e títulos incentivados, ampliando o peso relativo de famílias e negócios menores nas carteiras bancárias. As estimativas de probabilidade de inadimplência indicam manutenção da pressão no segundo semestre, tanto para pessoas físicas quanto para empresas menores.
Por Leonardo Gottems Fonte: Agrolink
