Maria Hellena era uma companheira para a irmã mais velha, Maria Júllya. (Imagens: Arquivo Pessoal)
Presente de aniversário fez a jovem Maria Júllya Lopes chorar de emoção e saudade. Com 10 anos completos no último dia 28 de janeiro, a moradora da cidade de Paranaíba–MS não conseguiu conter as lágrimas ao ganhar o que mais queria: um colar com pingente gravado com a imagem de sua irmã, Maria Hellena, falecida em abril de 2025.
A morte da bebê de nove meses, provocada por uma injeção de medicamento com dose 900% acima da receitada, ainda é uma lacuna no coração da família, e a irmã mais velha sofre muito com a ausência da caçula.
Quase um ano se passou desde a perda inesperada e, agora, o desejo de carregar uma lembrança material da pequena em seu pescoço se tornou realidade. Veja o momento em que a menina recebe o presente e se emociona:
O presente mais esperado
Ao Jornal Midiamax, Leticia Lopes, mãe das garotas, conta como preparou a surpresa para a primogênita e comenta a reação da pequena ao ser presenteada com o sonhado colar. Conforme a genitora, a própria Maria Júllya manifestou o desejo de ganhar a corrente.
“Em dezembro, foi aniversário da minha cunhada e, de presente, mandei fazer uma correntinha com a foto da bebê para ela. Aí a Maria Júllya viu e falou ‘mãe, eu também quero uma, mas com a foto minha e da minha irmã’. Ela ganharia essa correntinha de presente de Natal, mas, infelizmente, no dia 20 de dezembro, o tio dela, irmão do pai dela, faleceu lá em São José do Rio Preto, e ela foi pra lá ficar com a família paterna”, recorda.
Por conta da viagem, Maria Júllya só voltou para a casa, em Paranaíba, após o Ano-Novo, e a mãe resolveu esperar o dia mais especial para dar o mimo.
“Ela faz aniversário no dia 28 de janeiro, então eu e meu esposo resolvemos entregar na véspera. Ela ficou muito feliz, chorou, disse que era o melhor presente que ela poderia ter ganhado”, comenta.
À esquerda, o colar que Leticia deu para a cunhada e, à direita, a correntinha de presente para Maria Júllya. (Fotos: Arquivo Pessoal)
Família mantém lembrança de Maria Hellena viva
Leticia relata que Maria Júllya sente muita falta de Maria Hellena. “E realmente é uma falta que não cabe no peito, é uma tristeza sem fim. Já se passaram 9 meses que ela se foi e cada dia é como se estivéssemos vivendo tudo novamente”, lamenta a responsável, que está grávida do pequeno Pedro, menino que veio como esperança de um recomeço para a família.
Assim como a primogênita, os pais também encontraram um jeito de andar com a lembrança de Maria Hellena, cada um à sua maneira.
“Lá em casa, até o meu esposo personalizou o carro e colocou uma foto das meninas na capa do estepe. Foi uma forma que ele achou de carregar elas sempre com ele. Eu também tenho uma tatuagem que fiz com o rosto da bebê. Ela sempre estará viva nas nossas lembranças, nos nossos corações e nas fotos que guardamos, cada uma com muito carinho”, finaliza Leticia.
Maria Hellena está eternizada em tatuagem na mãe e até no carro da família – (Fotos: Arquivo Pessoal)
Bebê morreu após injeção em hospital e corpo foi exumado
Laudo entregue pelo hospital declarava que a pequena teria falecido de causas naturais, mas a mãe sempre apontou erro médico e ainda luta para que a justiça seja feita. “A minha filha morreu de uma parada cardíaca decorrente de um medicamento que eles aplicaram nela”, declarou Leticia ao Jornal Midiamax.
No dia 9 de maio, o corpo de Maria Hellena chegou a ser exumado pela equipe da perícia criminal, com a presença de médico legista e outros servidores públicos, além de familiares. Na ocasião, a equipe coletou material dos restos mortais e enviou as amostras para o Ialf (Instituto de Análises Laboratoriais Forenses), ligado à Coordenadoria-Geral de Perícias da Secretaria de Justiça e Segurança Pública de MS.
O resultado apontou erro na dosagem da aplicação de dipirona na criança, constatando que Maria Hellena recebeu 2 ml do remédio, enquanto a receita orientava apenas 0,2 ml do remédio. O erro provocou uma parada cardíaca fatal e levou a menina a óbito.
“Era para ter diluído no soro, porém, ela injetou direto na veia da nenê. Agora tem que aguardar o processo”, disse a mãe, na época.