Os futuros da soja seguem trabalhando em campo negativo na Bolsa de Chicago nesta terça-feira (25), dando continuidade às fortes perdas registradas na sessão anterior. O mercado segue pressionado sobre a oleaginosa diante das perspectivas de uma grande produção nos Estados Unidos e de condições favoráveis para o desenvolvimento das lavouras na reta final da temporada.
Por volta de 7h20 (horário de Brasília), as cotações perdiam de 3,50 a 6 pontos nos principais vencimentos, levando o novembro a valer US$ 12,18 e o março a US$ 12,38 por bushel.
Um dos principais fatores de pressão continua sendo a perspectiva de uma produção elevada nos Estados Unidos. A estimativa divulgada pelo Pro Farmer apontou uma safra de soja de 124,4 milhões de toneladas, acima do esperado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e, se confirmada, sinalizando a possibilidade de ampla disponibilidade da oleaginosa no mercado norte-americano.
Além disso, o clima continua sendo acompanhado de perto pelos participantes do mercado. Apesar de algumas áreas produtoras enfrentarem problemas de umidade, as condições gerais ainda favorecem o desenvolvimento das lavouras em importantes regiões do Meio-Oeste, o que poderia levar ao resultado otimizado da nova safra do EUA.
Ontem, porém, o USDA trouxe uma nova redução no índice de lavouras de soja classificadas como boas ou excelentes.
No Brasil, o cenário climático também merece atenção. Áreas do Centro-Oeste e do Centro-Norte enfrentam um quadro de baixa umidade e déficit hídrico, que pode superar 50 mm em algumas regiões ao longo dos próximos dias, deixando os produtores em alerta em um momento em que eles se preparam para iniciar uma nova temporada.
Em setembro, o vazio sanitário termina em diversas regiões, o plantio já estará autorizado e assim, aos poucos, o mercado vai se voltando para a nova safra não só do Brasil, mas da América do Sul de uma maneira geral.
Outro ponto de atenção é o comportamento do complexo de óleos vegetais e do petróleo. A queda dos derivados da soja reduz o suporte ao grão, enquanto movimentos negativos no mercado de energia também podem limitar a competitividade do óleo de soja frente a outros óleos vegetais. E esta terça-feira é mais um dia de perdas para o óleo em Chicago, com perdas de mais de 1,7% nos principais contratos.
E na sessão de hoje, recuam ainda os futuros do farelo de soja, que ontem subiram forte e hoje realizam lucros na CBOT.
Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
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