Nesta terça-feira (29), após a despencada da sessão anterior, os futuros da soja trabalham muito próximos da estabilidade na Bolsa de Chicago. Por volta das 7h17 (horário de Brasília), o novembro/26 recuava apenas 0,25 ponto, cotado a US$ 12,88 por bushel, enquanto o janeiro/27 operava estável a US$ 13,03. O março/27 também não apresentava variação, a US$ 13,12, e o maio cedia 0,75 ponto, para US$ 13,19 por bushel.
O mercado tenta se reorganizar depois da pressão da segunda-feira, quando os futuros recuaram em meio à liquidação de posições e ao avanço da colheita nos Estados Unidos, além de refletirem o impacto China-EUA depois que o acordo entre Donald Trump e Xi Jinping resultou em uma lista com US$ 60 bilhões em produtos com tarifas menores, mas excluindo a soja.
O USDA informou ontem que 17% da área norte-americana de soja já foi colhida, ante 12% na semana anterior e exatamente em linha com a média dos últimos cinco anos. Além disso, 75% das lavouras já chegaram à maturação, também exatamente na média histórica para o período.
Com a colheita ganhando ritmo, aumenta sazonalmente a disponibilidade da soja americana, mantendo a pressão de oferta no curto prazo.
Ao mesmo tempo, a demanda continua no centro das atenções. Depois das recentes negociações comerciais entre Estados Unidos e China, a ausência de uma mudança mais significativa nas condições para a soja americana mantém cautela entre os traders, sobretudo diante da importância das compras chinesas para o escoamento da safra dos Estados Unidos.
Nesta terça-feira, porém, o mercado começa também a ajustar posições para os novos números de estoques trimestrais que o USDA divulga nesta quarta-feira (30). O relatório de Grain Stocks mostrará os estoques norte-americanos em 1º de setembro e ajudará a fechar definitivamente o quadro de oferta da temporada 2025/26, estabelecendo também o ponto de partida dos estoques para 2026/27.
Assim, a combinação entre entrada da nova safra, demanda ainda cercada de incertezas e a proximidade de um relatório importante do USDA tende a limitar movimentos mais fortes nesta manhã.
No Brasil, o produtor continua acompanhando Chicago em conjunto com o comportamento do dólar e dos prêmios, especialmente neste início da safra 2026/27, que começa a ganhar ritmo nas principais regiões produtoras.
Cazrla Mendes noticias agricolas
