Carregando stories...
Correio News Logo
×
Carregando vídeo...
COMPARTILHE

A hanseníase, doença milenar antigamente conhecida como lepra, voltou a ser um tema central de preocupação na saúde pública de Cassilândia. Durante entrevista ao programa Rotativa no Ar, a enfermeira Naiara Maia revelou que o município registrou um salto preocupante no número de diagnósticos: o ano começou com apenas dois casos e hoje já conta com 27 pacientes confirmados em tratamento. O cenário regional é ainda mais impactante, com a vizinha Paranaíba registrando mais de 300 casos diagnosticados.

A Hanseníase como doença dos nervos

O principal ponto de alerta trazido pela especialista é que a hanseníase é primariamente uma doença neuropática (dos nervos) e não apenas dermatológica. Por focar nos nervos periféricos, ela causa sintomas que podem ser facilmente confundidos com outras patologias. Entre os sinais clássicos estão:

  • Formigamento nas mãos e pés.
  • Adormecimento e perda de sensibilidade à temperatura.
  • Câimbras e sensações de choque pelo corpo.
  • Dores que assemelham-se a impulsos elétricos, causadas pelo comprometimento da “capa” dos nervos.

O “vilão” do diagnóstico: a fibromialgia

A enfermeira destacou que a fibromialgia tem sido o principal obstáculo para o diagnóstico correto da hanseníase. Segundo Naiara, muitos pacientes passam anos tratando dores crônicas como fibromialgia quando, na verdade, possuem hanseníase. Dados de uma capacitação recente mostraram que, de 20 pacientes triados que acreditavam ter fibromialgia, 15 testaram positivo para hanseníase. “Todo paciente com fibromialgia deve ser investigado para hanseníase”, alertou a enfermeira.

Transmissão e perfil dos pacientes

Diferente do mito de que a doença atinge apenas idosos, Cassilândia já possui registros de tratamento em crianças de apenas 4 anos. A transmissão ocorre por via respiratória (tosse ou espirro), mas exige um contato prolongado, geralmente superior a dois anos, com um portador da carga bacilar alta que não esteja em tratamento. Atualmente, a investigação de contatos não se limita apenas aos moradores da mesma casa, mas estende-se ao convívio no trabalho e na vizinhança.

Capacitação e tratamento

A virada de chave no aumento dos diagnósticos em Cassilândia deveu-se a uma capacitação intensiva realizada em junho de 2026 com o Dr. Márcio Gardini, infectologista e especialista em hanseníase de Fernandópolis. O treinamento preparou médicos e enfermeiros da atenção básica para um olhar clínico mais apurado, permitindo identificar a doença mesmo na ausência de manchas visíveis na pele.

A hanseníase tem cura e o tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS através da poliquimioterapia, com duração de seis meses a um ano. Pacientes que sofrem sequelas da doença têm direitos garantidos por lei, como isenção de imposto de renda e, em casos específicos, direito à aposentadoria. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações graves, como a perda de movimentos e incapacidades físicas.

Radio Patriarca/Cassilandianoticias


COMPARTILHE