O cenário econômico segue marcado por uma combinação de incertezas externas, indicadores de atividade mais fortes e atenção renovada à agenda doméstica, em um ambiente ainda sensível ao câmbio, ao comércio internacional e à inflação. A avaliação é do Rabobank, que aponta riscos geopolíticos elevados, resiliência da balança comercial brasileira e expectativa de nova apreciação do dólar frente ao real até o fim do ano.
No exterior, os Estados Unidos anunciaram um cessar-fogo entre Israel e Líbano condicionado à retirada do Hezbollah, mas ainda sem confirmação do grupo, apesar da indicação de Donald Trump de que haveria acordo. A leitura do banco é que os riscos geopolíticos permanecem altos, sem acordo entre EUA e Irã e com o cessar-fogo prorrogado por prazo indefinido.
Na economia norte-americana, o payroll de maio mostrou a criação de 172 mil vagas, acima da projeção de mercado, que era de 88 mil. A taxa de desemprego ficou em 4,3%, em linha com o esperado. No campo comercial, os EUA acusaram o Brasil de práticas restritivas e propuseram tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções como aviões, café e suco de laranja.
O dólar encerrou a semana anterior cotado a R$ 5,1687, o que representou depreciação de 2,64% do real frente à moeda americana no período. Segundo o Rabobank, o desempenho foi o décimo terceiro pior entre 24 moedas emergentes. Com a perspectiva de menor diferencial entre juros locais e externos ao longo de 2026, além de possível recuperação global do dólar em meio a um quadro fiscal frágil em ano eleitoral, o banco espera a moeda em R$ 5,35 no fim do ano.
Na atividade, a produção industrial avançou 0,7% em abril ante março, acima das expectativas do mercado e do Rabobank, marcando a quarta alta consecutiva no ano. Já a balança comercial registrou superávit de US$ 7,823 bilhões em maio, também acima das projeções.
Para os próximos dias, o principal destaque no Brasil será o IPCA de abril, previsto pelo Rabobank em 0,51% no mês e 4,66% em 12 meses. Também serão divulgados os dados de volume de serviços de abril, enquanto Chile e Peru terão indicadores relevantes na agenda regional.
Agrolink – Leonardo Gottems
