Carregando stories...
Correio News Logo
×
Carregando vídeo...
Editora Avante, usada por Rossana, para vender livros paradidáticos era favorito a vencer licitação de R$ 28 milhões (Foto: Arquivo)
COMPARTILHE

O Tribunal de Contas do Estado barrou pregão eletrônico que previa a compra de R$ 28 milhões em livros paradidáticos pelo CIDEMA (Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento Integrado das Bacias do Miranda e do Apa), formado por 15 cidades. A principal beneficiada deveria ser a Editora Avante, usada pela organização criminosa comandada pela empresária Rossana Paroschi Jafar, viúva do empresário Mirched Jafar Júnior.

Em dezembro do ano passado, o conselheiro Márcio Campos Monteiro, do TCE, concedeu liminar para suspender o certame por risco de versação de recursos públicos. Sem a intervenção da corte fiscal, o grupo dobraria os ganhos com a venda de livros para as prefeituras, de R$ 27 milhões, investigados na Operação Gutenberg, para R$ 55,1 milhões.

Os livros apontados no Pregão Eletrônico 02/2025 são semelhantes aos comercializadas pela Editora Avante, em nome de Rhayane de Souza Fanaia, nora de Rossana, que era dona de um brechó e é apontada como laranja da empresária pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

No edital, o CIDEMA apontava os livros “Drogas mais Drogas”, “Mosquito não”, “Educação Financeira”, “Bullying”, entre outros voltados para os estudantes do 1º ao 9º ano do ensino fundamental.

Outra coincidência era que o CIDEMA é presidido pelo prefeito de Miranda, Fábio Santos Florença, o Fabinho (PSDB). A prefeitura é investigada pelo Gaeco por ter comprado mais de R$ 1 milhão em livros da Editora Avante.

Prefeito de Miranda e presidente do CIDEMA, Fábio Florença, queria comprar R$ 28 milhões em livros paradidáticos (Foto: Arquivo)

Oito irregularidades e risco de corrupção

O procurador de contas substituto Bryan Lucas Reichert Palmeira apontou oito irregularidades no pregão do CIDEMA, como variação de 100% nos preços de um mesmo livro, a falta de publicação no Portal Nacional de Contratações Públicas, justificativa genérica e insuficiente para justificar a compra dos livros paradidáticos e falta de planejamento para definir a quantidade de alunos e de unidades necessárias para atender a demanda.

“Em exame prévio do certame público (peça 07), a Equipe Técnica verificou que a licitação em análise apresenta indício de irregularidades e inconsistências que evidenciam o descumprimento dos comandos normativos aplicáveis à matéria, refletindo insuficiência na fase de planejamento da licitação, o que compromete a conformidade legal e técnica do procedimento e pode impactar negativamente a formulação das propostas, a isonomia entre os licitantes e, por consequência, a competitividade e a seleção da proposta mais vantajosa para a Administração Pública”, apontou Monteiro, no despacho suspendendo o certame no dia 10 de dezembro do ano passado.

“Conforme exposto pela Divisão de Fiscalização de Educação, mesmo com as justificativas apresentadas, a licitação em questão apresenta irregularidades e inconsistências técnicas no planejamento e na elaboração do edital que podem interferir tanto na competitividade quanto na economicidade do certame”, apontou o conselheiro.

“Conforme exposto pela equipe técnica, embora na peça 18 tenham sido junta dos os Documentos de Formalização da Demanda (DFD) de forma individualizada por município, tais peças se limitam à reprodução de texto padronizado para todos os solicitantes, sem a necessária correspondência às especificidades fáticas de cada realidade local, o que esvazia sua finalidade técnico-instrutória e compromete a consistência do planejamento”, ressaltou.

Conselheiro Márcio Monteiro, do TCE, suspendeu pregão ao ver risco de desvio de recursos públicos (Foto: Arquivo)

Uma das irregularidades apontadas pelo Gaeco era de que a Editora Avante encaminhava aos prefeitos modelos de licitação, de justificativa e de contrato. Para viabilizar os contratos, a organização criminosa usava o então coordenador da Central de Regulação de Vagas da Secretaria Estadual de Saúde, Ed Carlo Britto Burgatt, que ameaçava não liberar exames, consultas e vagas em hospitais se não fosse assinado o contrato. Também pagava propina para os agentes políticos.

Outro agravante, conforme o conselheiro Márcio Monteiro, era de que o consórcio planejava firmar contrato por uma década. Essa cláusula foi considerada estranha, porque esse período só é usado para prestação de serviços e não compra de produtos, como livros.

“Revelam-se, assim, falhas substanciais na etapa de planejamento da licitação, na medida em que não foi demonstrada a real necessidade dos quantitativos e da contratação em si, inclusive com a apuração de sobreposição de aquisições já reali zadas pelos consorciados. Graves falhas também constatadas na elaboração do edi tal, comprometendo a legalidade, economicidade e competitividade do certame”, concluiu o conselheiro.

Após o TCE suspender o certame e cobrar explicações, o CIDEMA anulou o pregão e desistiu da compra dos livros didáticos.

Operação Gutenberg

O Gaeco prendeu 15 pessoas por integrar a organização criminosa. Foram presos Rossana e os três filhos – Felipe, Giovanni e Olívia Paroschi Jafar, a nora, Rhayane, Ed Carlo Burgatt, empresários e dois advogados.

Valor de contratos investigados poderia dobrar se TCE não suspendesse pregão com oito irregularidades (Foto: Arquivo) ojacaré

COMPARTILHE