O México suspendeu as importações de produtos avícolas provenientes do Brasil após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em um estabelecimento comercial de perus de corte no município de Nova Itaberaba, em Santa Catarina. A decisão, anunciada pelas autoridades mexicanas na segunda-feira (19), abrange tanto produtos destinados ao consumo quanto material genético e determinadas categorias de aves vivas.
Segundo informações atribuídas à Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México (Sader) e ao Serviço Nacional de Sanidade, Inocuidade e Qualidade Agroalimentar (Senasica), a medida impede a entrada de carne de aves, miúdos e outros despojos avícolas, ovos férteis e pintinhos de até três dias de idade. A restrição também alcança aves canoras, ornamentais e de rapina destinadas à comercialização, além de aves de companhia contempladas pela determinação.
A decisão foi divulgada pela imprensa mexicana, incluindo os veículos La Jornada e N+ México, que informaram a desativação das autorizações sanitárias correspondentes na plataforma de requisitos zoossanitários do país. A proibição se aplica às importações comerciais e também aos produtos avícolas transportados por viajantes.
Até o momento, não foi informado um prazo para o encerramento da suspensão. As autoridades mexicanas indicaram que acompanham as informações sanitárias relacionadas ao foco brasileiro e as providências adotadas para seu controle.
Foco foi confirmado em granja de perus de Santa Catarina
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou no domingo (18) a ocorrência da doença de Newcastle em um estabelecimento comercial de perus de corte, localizado em Nova Itaberaba, no oeste catarinense.
A identificação da espécie é relevante porque algumas notícias publicadas no exterior descreveram a ocorrência como um foco em granja de frangos. A informação oficial do governo brasileiro, entretanto, especifica que o estabelecimento afetado é destinado à criação de perus.
Segundo o Mapa, a confirmação ocorreu após investigação epidemiológica conduzida pelo serviço veterinário estadual e análises realizadas pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP).
Em entrevista coletiva realizada na segunda-feira (19), o ministro da Agricultura, André de Paula, informou que a propriedade possui aproximadamente 6 mil perus. As aves permaneceram no estabelecimento e não foram destinadas à produção de carne para consumo.
A propriedade foi interditada, com suspensão da movimentação de aves. O protocolo sanitário prevê a eliminação do foco, seguida de limpeza, desinfecção e outras medidas de controle estabelecidas pelas autoridades veterinárias.
Monitoramento abrange cerca de 133 propriedades
As ações sanitárias são conduzidas pelo Mapa em conjunto com o Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina.
De acordo com o ministério, aproximadamente 133 propriedades deverão ser acompanhadas na área de restrição, que abrange Nova Itaberaba e os municípios vizinhos de Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias.
As equipes técnicas realizarão visitas, avaliações clínicas das aves e coletas de amostras para verificar possíveis sinais da doença e a eventual presença do vírus nos estabelecimentos monitorados.
O Mapa ressaltou que os produtos avícolas submetidos à inspeção sanitária oficial permanecem seguros para consumo, sem contraindicações associadas à ocorrência identificada.
A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que afeta diferentes espécies de aves e exige medidas específicas de vigilância e controle. Ela não deve ser confundida com a influenza aviária, que é causada por outro grupo de vírus.
Suspensão atinge mercado importante para a avicultura brasileira
A decisão mexicana acrescenta uma consequência comercial ao episódio sanitário identificado em Santa Catarina.
O México está entre os principais destinos da carne de frango exportada pelo Brasil. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o mercado mexicano havia adquirido 238,2 mil toneladas do produto entre janeiro e novembro de 2025, crescimento de 16,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A suspensão anunciada agora, entretanto, não permite estimar automaticamente quanto desse comércio poderá ser afetado. O impacto efetivo dependerá da duração das restrições, dos produtos abrangidos pelos fluxos comerciais e das condições para a retomada das importações.
Na coletiva de segunda-feira, o Mapa informou que está comunicando oficialmente a ocorrência aos parceiros comerciais do Brasil, com esclarecimentos sobre a confirmação laboratorial e as providências sanitárias adotadas.
O ministério ressaltou que eventuais restrições de outros países seguirão os protocolos sanitários estabelecidos bilateralmente com cada mercado. Portanto, a decisão mexicana não deve ser interpretada como uma suspensão generalizada das exportações brasileiras de produtos avícolas.
A evolução das medidas de contenção em Santa Catarina e o diálogo entre as autoridades sanitárias brasileiras e mexicanas serão determinantes para esclarecer as condições e o prazo de uma eventual retomada dos embarques.
Guilherme Dorigatti , Notícias Agrícolas
