Filho da saudosa Maria do Pronave, pesquisador da UEMS com doutorado na Bélgica e artigos em bases da NASA desenvolveu a ‘Fosfogênese IA’, tecnologia capaz de liberar o fósforo preso na terra e reduzir o uso de fertilizantes em até 60% nas lavouras.
1. Da Infância na Vila ao Reconhecimento Científico Internacional
A edição do programa Rotativa no Ar, da Rádio Patriarca da última sexta-feira (23/10), recebeu nos estúdios o professor, engenheiro agrônomo e cientista Dr. Renato Lustosa. Nascido em 1984 e criado em Cassilândia, Renato é filho da saudosa Maria do Pronave — pioneira que esteve à frente da Assistência Social do município por diversos governos.
Durante a entrevista, o pesquisador recordou com carinho os tempos de escola no antigo CEC (atual Hermelina Barbosa Leal). Renato destacou a importância da professora Luzia Amélia, que marcou sua infância ao criar um grupo de observação do céu e trazer telescópios para despertar o interesse dos estudantes pela ciência.
Após concluir a graduação em Agronomia em Cassilândia e possuir formação técnica em Sistemas de Informação, Renato ingressou na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) em Paranaíba por concurso público. Na instituição, realizou sua pós-graduação e mestrado, sendo posteriormente selecionado para doutoramento na Universidade de Antuérpia, na Bélgica, onde residiu por quase sete anos pesquisando a dinâmica entre plantas, microclima e microrganismos do solo. A solidez de suas pesquisas rendeu ao cientista cassilandense a autoria de 18 artigos científicos indexados em bases de dados internacionais da NASA sobre previsão e mudanças climáticas.
2. A Tecnologia ‘Fosfogênese IA’ e o Prêmio do Edital Centelha
Atuando na pós-graduação da UEMS, o Dr. Renato Lustosa coordenou a equipe que desenvolveu a startup Fosfogênese IA, grande vencedora do Edital Centelha, programa do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul que financia ideias inovadoras e startups de alto impacto tecnológico. A inovação ataca um dos maiores gargalos econômicos da agricultura em solos tropicais:
- O Problema: Os solos brasileiros possuem elevada acidez e abundância de óxidos de ferro e alumínio. Essa característica química “trava” ou fixa o fósforo aplicado via adubação, impedindo que as raízes das plantas o absorvam. Por depender de fertilizantes fosfatados importados (vindos de países em conflito no exterior), o insumo representa até 40% dos custos de produção na agropecuária, custando em média R$ 750,00 por hectare.
- A Solução com Inteligência Artificial (Agricultura 5.0): A plataforma Fosfogênese IA cruza dados de microrregiões do solo (umidade, temperatura e relevo) com a biologia vegetal. O sistema indica o “casamento exato” entre a cultivar agrícola (como um híbrido de milho ou variedade de braquiária) e a linhagem de microrganismo benéfico mais adequada. A IA determina a dose precisa, a cepa microbiológica, o horário e a forma de aplicação ideal para “desbloquear” o fósforo que já se encontra retido na terra.
3. Resultados em Testes e Economia Bilionária para Mato Grosso do Sul
Nos testes da fase de desenvolvimento (beta tester), a tecnologia da Fosfogênese IA alcançou marcas surpreendentes: redução de 50% a 60% no uso de adubos fosfatados, mantendo ou até elevando os níveis normais de produtividade das lavouras.
A meta conservadora da startup é garantir uma redução mínima de 20% no consumo de fósforo nas propriedades rurais de Mato Grosso do Sul. Essa economia representará uma diminuição de bilhões de reais nos custos operacionais dos produtores sul-mato-grossenses, tornando a produção mais rentável e ecologicamente sustentável. A tecnologia já está acessível para produtores e consultores no portal oficial: www.fosfogenese.com.
4. Impacto Social: Cursos Gratuitos de Empreendedorismo Digital em Cassilândia
Demonstrando compromisso com o desenvolvimento da comunidade local, o Dr. Renato Lustosa apresentou seus alunos do mestrado na UEMS, Vittor Neves (extensionista rural) e Helen (servidora municipal).
Por meio de um projeto de extensão universitária, a equipe ministrará cursos gratuitos de empreendedorismo digital e elaboração de projetos em Cassilândia e na região da Costa Leste. A capacitação ensinará jovens, moradores e produtores locais a transformarem ideias do cotidiano em projetos estruturados para concorrerem e captarem recursos financeiros em editais de fomento e bancas de startups.
“Temos pessoas muito inteligentes em Cassilândia e na Costa Leste. Queremos ensinar nossa gente a colocar boas ideias no papel para conquistarem prêmios e desenvolverem a economia da nossa região”, destacou o professor.
5. Ciência, Inteligência Artificial e Fé
Durante o programa, o cientista também ofereceu reflexões sobre o funcionamento e os limites da Inteligência Artificial, ressaltando que a tecnologia deve ser usada como ferramenta criativa e de defesa das nações, alertando para os riscos de vieses e desinformação no uso sem critério.
Provocado sobre como um cientista analisa o sobrenatural, Renato concluiu que a complexidade do universo aponta para um ajuste fino que a ciência tenta compreender: “Conforme você estuda mais, percebe que há coisas que a ciência busca explicar, mas que são finamente ajustadas na natureza. O sobrenatural e a fé a gente sente; a ciência busca os caminhos, mas a experiência pessoal e espiritual é algo que cada um deve vivenciar com respeito”.
Cassilandianoticias
