A Romaria do Divino Pai Eterno, que todos os anos reúne milhões de peregrinos em Trindade, começou a partir de um objeto de apenas nove centímetros encontrado há 185 anos por um casal de lavradores. O medalhão de barro, descoberto em 1840 no então arraial de Barro Preto, atual Trindade, é considerado o marco inicial da devoção ao Divino Pai Eterno e permanece preservado no Santuário Basílica.
Pela primeira vez, o medalhão foi mostrado ao vivo durante o Jornal Anhanguera. A peça fica guardada em um relicário e só é retirada em ocasiões especiais devido à sua fragilidade.
Como tudo começou
Segundo a tradição, Constantino Xavier e Ana Rosa de Oliveira preparavam a terra para o plantio quando encontraram o medalhão com a imagem da Santíssima Trindade coroando Nossa Senhora.
O casal interpretou o achado como um sinal de Deus. A partir daquele momento, levou o objeto para casa e montou um pequeno altar, onde familiares e vizinhos passaram a se reunir para momentos de oração.
Com o passar do tempo, relatos de graças alcançadas começaram a atrair cada vez mais pessoas ao local, dando origem à devoção que, anos depois, transformaria Trindade em um dos principais destinos de peregrinação religiosa do Brasil.
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Peça de barro com cerca de nove centímetros foi encontrada por um casal de lavradores em 1840 e deu início à devoção que hoje reúne milhões de fiéis em Trindade — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Da simplicidade nasceu uma das maiores romarias do país
Para o reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, padre Marco Aurélio Martins, o significado do medalhão vai além do tamanho da peça.
“Aqui se demonstra a grandeza do coração de Deus, que se revela na simplicidade. Das coisas simples é que o grande acontece”, afirmou.
Segundo o religioso, o fato de um objeto tão pequeno ter dado origem a uma romaria que hoje reúne milhões de pessoas reforça a mensagem cristã de que Deus se manifesta por meio da simplicidade.
“Um medalhão de nove centímetros dá início a uma romaria desse tamanho, com uma festa que reúne mais de quatro milhões de pessoas, porque Deus assim quis celebrar”, disse.
O padre também explicou que o desgaste observado no rosto da imagem alimenta uma tradição entre os fiéis. Há quem diga que a marca surgiu quando a enxada de Constantino atingiu o medalhão durante o trabalho na lavoura.
“Jesus é quem nos mostra o rosto do Pai. O rosto do Pai é um rosto de amor, de esperança e de vida”, afirmou.
Medalhão inspirou imagem venerada pelos fiéis
Com o desgaste natural da peça ao longo dos anos, Constantino Xavier encomendou ao artista Veiga Valle, em Pirenópolis, uma escultura inspirada no medalhão para preservar a devoção.
A imagem produzida pelo santeiro passou a ser utilizada nas celebrações e tornou-se um dos principais símbolos da Romaria do Divino Pai Eterno.
Enquanto isso, o medalhão original foi preservado e continua sob os cuidados do Santuário Basílica, sendo exposto ao público apenas em ocasiões especiais devido à sua delicadeza.
Por Bárbara França, g1 Goiás
