Os preços da soja voltam a registrar altas na Bolsa de Chicago nesta sexta-feira (28), com o mercado encontrando suporte em uma combinação de fatores fundamentais e externos. As cotações avançam após a volatilidade observada nos últimos pregões, enquanto os traders seguem atentos às condições climáticas nos Estados Unidos, à demanda internacional e ao comportamento do petróleo e dos demais mercados agrícolas.
Perto de 7h40 (horário de Brasília), os futuros da oleaginosa subiam de 6,75 a 9,50 pontos nos principais contratos, com o novembro sendo cotado a US$ 12,75 e o março a US$ 12,95 por bushel. O milho e o trigo também operam em campo positivo, bem como o óleo de soja que dispara mais de 2%. O farelo, por sua vez, caminha de lado, depois de também ter tido uma semana bastante intensa.
A escalada das tensões entre Rússia e Ucrânia e os ataques à infraestrutura e às rotas de escoamento na região do Mar Negro têm provocado uma reorganização das expectativas do mercado global de grãos e levado o trigo a renovar máximas de vários anos.
Para a soja, no entanto, os fundamentos próprios também seguem oferecendo sustentação. O mercado continua monitorando as previsões climáticas para o cinturão produtor norte-americano, com novas áreas podendo enfrentar temperaturas elevadas nos próximos dias. O risco climático chega em um momento importante para a definição do potencial produtivo da safra 2026/27 dos Estados Unidos, mantendo os investidores cautelosos em relação às estimativas de produção.
Outro fator de suporte vem da demanda. As exportações norte-americanas seguem no radar do mercado, depois de uma sequência de negócios que ajudou a impulsionar os preços nos últimos dias. Ontem, as vendas semanais para exportação dos EUA vieram reportadas em mais de dois milhões de toneladas.
O comportamento do petróleo também contribui para o ambiente positivo do complexo das commodities. A valorização oferece suporte aos óleos vegetais e, consequentemente, ao complexo da soja, reforçando o movimento de alta observado nesta sexta-feira.
Assim, o mercado encerra a semana mantendo uma atenção redobrada sobre três pontos principais: a evolução do clima nos Estados Unidos, especialmente diante das previsões de novas temperaturas elevadas; o ritmo das exportações norte-americanas; e os desdobramentos das tensões geopolíticas, que continuam provocando forte volatilidade nos mercados de commodities.
Com esse cenário, a soja busca consolidar os ganhos recentes em Chicago, enquanto os operadores avaliam se os fundamentos de demanda e as preocupações com a oferta serão suficientes para manter as cotações sustentadas também nos próximos pregões.
Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
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