As oscilações do câmbio brasileiro têm reflexos nos preços internacionais do açúcar e na remuneração das usinas. Segundo Fabio Meneghin, fundador e diretor da Veeries, o peso do Brasil nas exportações faz com que choques na moeda brasileira influenciem as cotações em Nova York.
No pregão de 26 de outubro, após o segundo turno, o dólar futuro na B3 subiu 8,3%, enquanto o contrato de açúcar NY11 recuou 5,6%. Em 5 de outubro, depois do primeiro turno, o movimento foi inverso: o dólar caiu 4,4% e o açúcar avançou 4%.
O Brasil responde por 54% das exportações mundiais de açúcar em 2025/26, segundo o USDA. Como a usina decide em reais, a desvalorização da moeda brasileira aumenta o valor recebido pelo mesmo preço em dólar. Isso incentiva a fixação de preços de uma parcela maior da produção e pressiona a cotação internacional.
Na sessão de 26 de outubro, o NY11 convertido em reais subiu cerca de 2%, apesar da queda em dólar. Segundo Meneghin, o ajuste ocorreu na cotação em Nova York, preservando a receita do produtor em moeda brasileira.
Os dados apresentados por Meneghin mostram que, desde 2018, nos pregões em que o dólar futuro subiu 1,5% ou mais, o NY11 fechou em queda em 68% das vezes. A lógica também se aplica ao café, ao suco de laranja, no qual o Brasil concentra cerca de 75% das exportações mundiais, e, em boa parte do ano, à soja, com cerca de 60%.
O câmbio, porém, não explica todos os movimentos. Entre o fim de julho e o início de setembro, o açúcar em Nova York subiu mais de 20%, com o dólar praticamente estável. Safra, mix de produção e clima seguem determinantes, embora choques cambiais possam comandar o ajuste dos preços.
AgrolinkLeonardo Gottems
